Endometriose

O que é Endometriose

Endometriose é a presença de tecido endometrial ( que normalmente está dentro da cavidade uterina) fora do útero. A localização mais frequente da endometriose é em orgãos pélvicos ou seja: ovarios,trompas uterinas,útero , bexiga, reto.Mas a endometriose pode também ser encontrada em orgãos extra pélvicos como:intestino, apêndice, parede abdominal, diafragma, pulmões, trato urinário etc). O tecido endometrial que se encontra fora do útero (endometriose) responde ao estímulo hormonal dos estrógenos e progesterona produzidos regularmente pelos ovários, da mesma forma que o endométrio que reveste a cavidade uterina.Sendo assim cresce, se desenvolve durante o ciclo e sangra durante a menstruação.

endometriose-ilustra

Existem várias teorias para tentar explicar esta doença, porém nenhuma delas comprovada, na realidade são hipóteses. A teoria mais popular é a da menstruação retrógrada ou seja a menstruação volta pela trompa e cai na cavidade abdominal , então as células de endométrio aí existentes se implantam em órgãos intra abdominais e iniciam seu desenvolvimento. Outras teorias falam em metaplasia ( tecido normal da cavidade abdominal se transforma em endometriose ) Implante de células endometriais durante cirurgias. Disseminação de células endometriais através de vasos sanguíneos ou vasos linfáticos à distância. Todas estas teorias são possíveis porém o desenvolvimento da célula endometrial fora de lugar só é possível por uma alteração na imunidade local, pelo menos é o que se acredita até o presente momento.

Outros fatores coadjuvantes colaboram com a doença :

– Hereditariedade( presença de endometriose em mãe e irmãs dobra o risco)
– Raça branca tem risco maior
– Altos níveis de estrógeno e menstruações prolongadas e abundantes
– Obesidade primeira gestação tardia ou pacientes sem filho
– Cirurgias pélvicas prévias
– Fatores anatômicos, má formações uterinas, estreitamento do canal cervical.

Ela é causa de dor pélvica em 80% das pacientes , 20% das pacientes com endometriose são inférteis e 5% apresentam cistos ovarianos chamados endometriomas.No entanto na literatura médica encontramos referências variáveis entre 5 a 40% de pacientes com endometriose e sem sintomas. A dor ocorre por formação de aderências entre órgãos, produção de substâncias irritantes pelas células da endometriose ( Prostaglandinas, histamina ….), compressão de outras estruturas abdominais, presença de nódulos profundos de endometriose, presença de endometriose no meio da parede uterina , ou invadindo o espaço entre reto e vagina.
A endometriose parece ter vários mecanismos na gênese da infertilidade, quer seja por alterar a anatomia dos orgãos pélvicos, ou alterar a bioquimica da cavidade abdominal produzindo agentes irritantes e inflamatórios, alterando a imunologia local e interferindo na ovulação, na motilidade tubarea, na função espermática e na implantação embrionária.

Existem varias classificações segundo a gravidade da doença, a mais aceita atualmente é a da American Fertility Society que classifica a doença em estágios I, II,III e IV ou mínima , leve , moderada e grave.

sintomas endometriose

Sintomas de Endometriose:

Sintomas que podem estar presentes:
– dor pélvica recurrente focal ou generalizada
– cólica menstrual intensa
– dor de profundidade às relações sexuais
– ovulação dolorosa
– sangramento urinário ( sem relação com infecção urinária ou cálculos renais )
– sangramento intestinal ( sem relação com hemorróidas, divertículos etc)
Ao exame ginecológico podemos encontrar:
– nódulo ou espessamento no fundo vaginal
– massas anexiais
– diminuição da mobilidade ou fixação uterina ou ovariana
– dor muito intensa ao exame
Exames subsidiários que podem auxiliar no diagnóstico;
– ultrasonografia transvaginal tem utilidade na avaliação de endometriomas
– não há nenhum exame de sangue até o momento que permita o diagnóstico, o Ca 125 não permite diagnóstico apenas é usado no seguimento da doença.

A videolaparoscopia continua sendo a única maneira segura de se diagnosticar, estadiar e tratar ela. O laparoscopista experiente vai reconhecer a endometriose que pode ser apresentar de várias formas:
– lesão negra
– lesões brancas
– vesiculas
– lesões vermelhas
– falhas peritoniais
– nódulos de fundo de saco posterior
– endometriomas

endometriose causas

Quando a laparoscopia está indicada?

Em todas as pacientes com nodulação de fundo de saco posterior ao exame,naquelas cuja dor se mantém apesar do tratamento( 3 meses ou mais ) com antiinflamatórios e/ou anticoncepcionais hormonais . Pacientes assintomáticas com infertilidade onde toda propedeutica do casal foi negativa e não conseguiu gravidez em até 1 ano . Achado de massas anexiais sugestivas de endometriose à ultrasonografia. Acometimento e sintomas de outros orgãos bexiga , reto…

A cirurgia da endometriose é uma cirurgia de cito redução ou seja temos que tirar a máxima população possível de implantes endometriais. É realmente uma cirurgia de grande dificuldade técnica que requer um profundo conhecimento da anatomia pélvica, a qual se encontra na maioria das vezes alterada. As lesões devem ser cauterizadas e as nodulações dissecadas e excisadas. A cirurgia da endometriose é agressiva na medida que tecidos acometidos devem ser retirados para evitarmos recidivas precoces.

Por isso no protocolo de tratamento nas  III ou IV realizamos uma segunda laparoscopia em até 6 meses para controle de focos remanescentes e para desfazer aderências que possam existir quer pela endometriose quer pela laparoscopia pregressa.

Endometriose – Esperança para as mulheres

Incapacitante, agressiva e – para muitos especialistas – sinônimo de remoção de órgãos, a endometriose ganhou recentemente novas perspectivas, com o avanço no tratamento e nos equipamentos médicos. Combatida a partir da adoção de novos conceitos da medicina e técnicas modernas, a doença hoje já pode ser controlada e, o mito da esterilidade causada por ela, em muitos casos, é integralmente reversível.

A endometriose é um desequilíbrio orgânico da mulher, no qual fragmentos da camada interna do útero, o endométrio, que deveria ser eliminado durante o fluxo menstrual, alojam-se em outros locais como o ovário, as trompas de falópio e os ligamentos que sustentam o útero, podendo atingir também o intestino, a bexiga e outros órgãos. A doença é progressiva, acomete a paciente em idade fértil e possui quatro níveis, sendo que o último estágio, o mais agressivo, é considerado totalmente incapacitante. Estima-se que cerca de 20% a 30% das mulheres, geralmente de classe média-alta, ainda sem filhos, sofram com o problema.

As principais características da endometriose, são lesões pequenas, localizadas em diferentes partes do corpo como a região inferior do abdômen e a pelve, dores crônicas e intensas, que machucam a mulher inclusive durante a relação sexual. Além disso, um fator agravante é que a doença tem relação direta com a infertilidade, favorecendo o aborto e a esterilidade, debilitando reprodutivamente a paciente.

Contudo, novos conceitos médicos e técnicas modernas adotados no tratamento da endometriose têm elevado consideradamente as esperanças das mulheres em reverter a doença sem a remoção dos órgãos, apenas com a remoção dos focos da endometriose, aumentando cada vez mais as chances de gravidez no pós-tratamento.

“Até há pouco tempo, a doença era curada com a retirada do útero e do ovário, impossibilitando a gravidez. A retirada dos órgãos é uma alternativa mutilante. Hoje, trabalhamos com um conceito de preservar ao máximo os órgãos da mulher. É preciso ressaltar que a endometriose tem cura e, desde que tratada como doença, pode ser totalmente revertida, possibilitando a gravidez”, afirma o ginecologista e cirurgião-geral do Hospital e Maternidade São Luiz, Duarte Miguel Ferreira Rodrigues Ribeiro.

“Estudos apontam que, com a endometriose de nível leve tratada, a taxa de gravidez natural atinge a incidência de 30%, enquanto que nos casos em que a doença é apenas ‘observada’ e não combatida, este índice cai para 17%. Estes percentuais variam muito, mas até nos casos mais graves, existem estudos que apontam índices de 50% de gravidez”, relata o ginecologista e obstetra, especialista em videolaparoscopia, Luiz Fernando Bellintani. Segundo ele, que atua na equipe do ginecologista Ribeiro, por meio da videolaparoscopia – intervenção cirúrgica minimamente invasiva monitorada por vídeo, que diagnostica e permite a remoção dos focos da endometriose -, é possível fazer uma excisão profunda dos focos da doença, seguida da cauterização completa das lesões.

“Nunca mais tive cólicas”

A administradora de empresas Silvia Regina Boaro Barletta, 36 anos conviveu com a endometriose nos últimos cinco anos. Ela sofreu dores intensas, cólicas fortes, teve o intestino comprometido e enquanto foi avaliada por diferentes médicos que recomendavam a remoção dos órgãos, a doença evoluiu do nível um para o nível quatro. “Já havia desistido de engravidar, pois já tinha tentado até inseminação artificial. Passei por médicos que não se preocuparam em tratar a doença, tive sérias complicações por causa disso. Fui submetida a uma cirurgia de um abcesso de oito centímetros, sofri muito”, relembra.

Segundo ela, a endometriose já tinha afetado sua qualidade de vida, a rotina profissional, a vida conjugal e social, entre outros aspectos psicológicos. “Se não cuidar, a endometriose se alastra por todo abdômen, tomando conta de tudo. Perde-se órgãos mesmo”, relata.

Foi em março deste ano que, Silvia fez a primeira videolaparoscopia, que durou seis horas. “Minha vida mudou, não tive mais dores, nem cólicas, meu intestino estava comprometido, perdi 10 centímetros do órgão, mas consegui preservar o útero e os ovários. Hoje, estou bem melhor, fazendo planos para engravidar no próximo ano”, complementa.

Para as mulheres que sofrem do mesmo problema, Silvia recomenda que procurem especialistas que adotem o tratamento videolaparoscópico, antes de tentar a remoção dos órgãos e que não desanimem com casos mal sucedidos, “pois é possível curar a doença, resgatar a qualidade de vida e ter uma rotina normal”, conclui.

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